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Surf On Pauliño-Portuguese

Escrito en 1998 para seu aniversário no ano de sua morte

Lire les mots
Lire les textes
Lire les vies
Lire le monde
Lire nos coeurs

Imagine só.

São seissentos ativistas de rua, canadenses e americanos.
Todos reunidos no salão da nova escola de pesquisa de Nova York.

Onde, em mil novecentos e trinta e dois,
a primeira reunião do sindicato dos professores norte americanos, aconteceu.

Aniversário de Paulo Freire,
o mais notável educador do século vinte.

A academia em peso, amontoava-se ao lado dos organizadores dos sem- teto.
Que por sua vez, amontoavam-se próximos aos confeccionistas
Que por sua vez, amontoavam-se próximos ao movimento de independência de Porto Rico
Que por sua vez, amontoava-se próximo aos professores do jardim
Que se amontoam aos professores do ensino médio
Todos alí, prontos para ouvirem Paulo Freire.

E Paulo, já la com seus setenta anos de idade, chegou a cidade.
Veio para nos ajudar a celebrarmos nossas próprias vidas, através dele.
No palco, ele se levanta por trás de uma mesa:
“Eu gostaria de contar”
Paulo, com sua voz doce e gentil, continua.
“Sobre o melhor presente que recebi de aniversário”.
“Ganhei de presente de um jovenzinho lá de Recife, no nordeste do Brasil, de onde eu vim.
Era um desenho, que ele mesmo fez.

Na imagem, havia ondas do Atlântico quebrando na praia.
E tinha um homem, em uma prancha de surf.
Sobre a prancha, esse homem já velho, de barba branca e óculos.
Aquele velho era eu. Era o meu retrato.
O meu jovem amigo ainda escreveu embaixo do desenho, com suas próprias mãos.
Ele me disse:
“Continue surfando, Paulinho”
Continue surfando, Paulinho
E com o riso que enche uma sala, Paulo disse:
“Aquela era a minha única intenção”.

Paulo foi um transcedentor domador de ondas
Ondas de respeito pelos povos oprimidos do planeta.
Ondas de exílio e solidão, ora no Chile, ora em Genebra ou África. Ondas de amor por seus filhos, querida Elsa que nos deixou primeiro Ondas de amor por sua alma gêmea, Nita.
Ondas de amor por seus amigos dos quatro cantos do mundo: Guinea- Bissau,
Cuba, India, Fiji, França e claro, nós aqui no Canadá.

Por ele ser professor Por ele ser ativista
Por ele ser um Contador de histórias
Pois acima de tudo, alguém das grandes tradições místicas e anciãs Brasileiras.

Mais que um professor
Mais que um ativista
Mais que um escritor
Mais que um contador de histórias

Ele levou consigo aquela brisa quente de possibilidades históricas
Ele levou consigo memórias de lutas.
Ele levou consigo vulnerabilidade e necessidade
Ele levou consigo oportunidades para novas amizades
Ele levou consigo o olhar de um jovem
Ele levou consigo um agência revolucionária
Ele levou consigo suas mãos que se extende ao próximo
Ele levou consigo toda a eletricidade das tempestades do sertão nordestino.

Paulo sempre se desculpava pelo seu jeito de falar línguas que não fosse o seu tão amado Português.

E mesmo assim, não se ouvia um piu na platéia enquanto ele falava. Inglês, Francês, ou Espanhol nos quatro cantos do mundo.
Ele encontrava maneiras distintas de falar Inglês e Francês que nos efeitiçavam.
Para nos atrair pra si mesmo.

Ele parecia precisar tanto de nós, seu público, que dependurávamos nele e nas palavras dele. E nós o ajudamos a nos encontrar.

Desta forma, depois de tudo,
Nós éramos seus textos,
Nós éramos suas palavras
Ele era nossos textos.
Ele era nossas palavras.

Lire les mots
Lire les textes
Lire les vies
Lire le monde
Lire nos coeurs

Paulinho,
Continue surfando

tradução por Bruno Jayme de Oliveira

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